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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Kinkaku-ji: o pequeno templo dourado de Itapecerica.

Em 1397 foi criado em Kioto, no Japão, o templo Kinkaku-ji -  templo dourado ou coberto por ouro. 577 anos depois, em 1974, era inaugurado uma réplica desse templo em Itapecerica da Serra em São Paulo - Brasil.

Esse templo pequenino e pouco conhecido pelos turistas me encantou quando o visitei ainda em 2005. Nessa última visita que fiz, no final de 2012, me causou uma pequena tristeza. A falta de cuidado tira um pouco a beleza do local. Mesmo assim, no meio da natureza, (precisa-se caminhar uma ladeira de terra da portaria ao templo em si), o templo ainda possui sua beleza.

É praticamente impossível saber que há um templo em Itapecerica da Serra, as placas marrons (símbolo internacional para atração turística) foram trocadas por uma "gambiarra" quase de papelão. Passa-se pelo centro de Itapecerica e pela área rural, até então chegar ao final da rua Camarão, onde há a portaria do templo. 

 Portal de entrada.

Já na entrada há um portal mostrando toda a imponência japonesa. Depois disso, o caminho íngreme te guiará por ideogramas intraduzíveis onde percebemos serem nada menos que túmulos de pessoas que preferiram serem cremadas. Apesar de fúnebre não perdem sua beleza. Quase chegando no templo ainda avistamos túmulos menores, já com nomes brasileiros. Entre eles estão as cinzas do autor global Cassiano Gabus Mendes.

Detalhes pelo caminho.
Alguns passos a frente, em meio a mata atlântica, encontramos o nosso pequeno templo. Não há como negar que ficamos encantados, mas também percebemos o descuido (a recepcionista nos informou que o templo passará por uma reforma ainda este ano).

A chegada ao templo Kinkaku-ji!

Entrando no templo vemos mais lápides. No andar térreo vemos carpas saltando do lago que o circunda, conseguimos alimentá-las com o saquinho de comida comprados na portaria. Subindo as escadas alcançamos o último andar. 

Assim como o templo, o jardim não está todo cuidado, mas é bonito vê-lo de cima. É de lá que conseguimos avistar o templo Enkoji, que apesar de não pertencer ao Kinkaku-ji pode ser acessado pelo    seu jardim.                                                                                                  

Pequenino também, porém melhor arrumado, não conseguimos visitá-lo interiormente. Era um feriado nacional entorno do meio-dia, mas os monges não estavam lá. O templo funciona somente aos sábados e domingos das 10h às 14h, mas disse a recepcionista que caso os monges estivessem por lá abririam o templo. Afinal éramos três visitantes e ao final da nossa visita, vimos mais três. Só. Ficamos a ver navios, ou melhor, o interior do templo por suas frestas.

Templo Enkoji 
 
De lá, caminhamos um pouco mais para tirar uma foto do Kinkaku-ji de frente. Está sol, mas a dourado não brilha tanto quanto poderia. O templo fica ali emoldurado pela mata atlântica e impondo a beleza da arquitetura japonesa. Como dois países tão distintos se misturaram tão facilmente? Só tenho um pensamento: quero conhecer o original em Kioto e voltar para meditar no Enkoji em Itapecerica.
 
Templo Kinkaku-ji emoldurado pela mata atlântica.

A região onde ficam os templos é conhecida como Vale dos Templos. 
Para chegar ao Kinkaku-ji: pela rodovia Regis Bittencourt (BR 101) vire na saída 285 - na placa está escrito "Itapecerica - Santo Amaro - Retorno", que leva ao centro de Itapecerica. De lá o melhor é seguir as placas (não muito bem organizadas, lembra?). Mas o meu conselho é imprimir o mapa do google maps ou utilizar um GPS. 
Rua Camarão, 220 Chácara das Palmeiras - Itapecerica da Serra, SP.
O templo funciona diariamente das 9h às 17h e o ingresso custa R$ 5. Se quiser comprar comidas para as carpas, adquira na portaria por R$ 0,50 cada pacotinho. 
Dica: por não possuir site, ligue antes da visita (011) 4666-4895. As informações podem mudar sem aviso prévio.

Templo Enkoji - Localiza-se ao lado Kinkaku-ji. Pode ser acessado pelo próprio templo, apesar de não possuirem vínculos.
Funciona aos sábados e domingos das 9h às 14h. Visite o site para maiores informações.
Rua Camarão, 220 Chácara das Palmeiras - Itapecerica da Serra, SP. 
Telefone: (011) 4667-5345
Para quem tem interesse em meditar ou conhecer um pouco do budismo, o templo oferece palestras e a prática da meditação alguns dias do mês. Verifique o site para maiores informações.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Os 12 posts especiais de 2012.

As meninas do Aprendiz de Viajante tiveram uma ideia muito legal para celebrar 2012. Um post sobre os 12 posts especiais de 2012. Este ano o blog teve um crescimento muito bacana. Só prá ter uma ideia, de 22 visualizações por posts, cheguei a atingir 2500!

Isso é um baita estímulo para continuar. Por falta de tempo pessoal, 2012 não foi o melhor ano de dedicação (arranjei emprego em um novo país, me adaptei, mudei de país, estou me readptando). Em 2013, o blog receberá muita dedicação e amor.

Vejam abaixo os 12 posts especiais de 2012:

1. O post com maior visualização foi sobre o metrô de NY. Acredito que foi o mais utilizado pelo pessoal que visita o blog!

 Metrô de NY e no detalhe, todas as linhas que passam somente por uma estação!
2. Um post muito especial foi sobre a minha despedida dos EUA. Depois de dois anos, dei um "até logo" ao país que me abrigou por 2 anos. Muito amor.

3. Um dos dias mais cansativos me levou à um dos lugares mais lindos que já vi. Veja o meu relato sobre a trilha Bright Angel Trail, no Grand Canyon.

 Parada para descanso na trilha Bright Angel, Grand Canyon. 
4. Esse ano utilizei um tipo de hospedagem muito diferente! O site AirBnb nos proporciona a experiência de "moradores" na cidade visitada. A minha foi em Nova York.

5. Uma das surpresas na nossa viagem pelos parques do Oeste dos EUA, foi o Arches National Park. Vale a visita de dia e de noite!

6. Acampei pela primeira vez em 2012! E resolvi escrever sobre os acessórios básicos para iniciar essa aventura :)

7. E uma das surpresas de NY foi o Metropolitan. Gamei no museuzão!

8. Um dos eventos mais importantes do esporte americano é o Super Bowl - a final da liga de futebol americano. E esse ano foi na cidade que morei nos EUA - Indianápolis. A cidade mudou toda sua dinâmica para receber esse evento! Ficou linda :)

 Super Bowl 46 em Indianápolis, EUA.
9. E quando um parque que não estava no roteiro, acabou entrando no final e te surpreende? Esse é o caso do Rocky Mountain National Park!

10. As cores do mar do Caribe são encantadoras, ainda mais quando você nada com golfinhos! Minha experiência no parque Xcaret, no México, foi inesquecível.

 Nadando com golfinhos no Xcaret, Cancun - México.

11. O castelo de Montezzuma foi outra surpresa na viagem ao Grand Canyon. No retorno a Phoenix, resolvemos parar de forma despretensiosa e bum!, ele nos surpreendeu.

12. O Embú das Artes americano ou TLAQUEPAQUE. Hã, o que?

Desejo em 2013 muitas viagens e saúde para todos nós.

Que bons ventos nos levem a bons lugares!

domingo, 25 de novembro de 2012

O Arches National Park é um capítulo a parte.

Desde 1971, para alegria de todos os viajantes, o Arches se tornou um parque nacional americano. E nos foi dado assim, a maior oportunidade de conhecer um dos lugares mais interessantes que já vi. 

As formações de arcos são causadas pela atuação do vento e chuva por milhões de anos. É impressionante!  Dentro da área do parque (quase 310km2) há mais de 2.000 arcos! Mesmo com essa quantidade de arcos, é possível visitar os principais em um dia. 

Embaixo do South Window Arch!

Por não ser considerado um parque muito grande, as trilhas não são muito extensas (com exceção de algumas trilhas que precisam ser planejadas com antecedência e possuir um bom mapa). A mais longa é a para o Double O Arch, em um total de 6.8km. E a mais famosa é a para o Delicate Arch, mas isso é um post a parte ;) Para quem gosta, dá para visitar o parque de bike. Tanto na estrada de carro, quanto nas trilhas para as formações.                                  
                                                                                                               
                 Balanced Rock!               
No dia de nossa visita, só no fim do dia o sol deu o ar da sua graça e mesmo assim o parque impressionou. Assim como o Rocky Mountain, o Arches possui uma estrada que corta o parque de Sul a Norte, porém conta com somente uma entrada pelo Sul, lá fica também o único visitor center do parque.

Como tinhamos somente um dia reservado ao parque, resolvemos visitar as formações de carro e fazer a trilha do Delicate Arch. Não nos   arrependemos. Como as outras trilhas são pequenas, conseguiamos caminhar e ficar embaixo da maioria dos arcos. Uma experiência muito interessante que indico à todos os viajantes. 

 Double Arch!

Como o parque fica muito próximo a cidade de Moab (aproximadamente 6,5km) é lá onde a maioria das pessoas se hospedam. O bom de ficar na cidade é que se pode visitar dois parques em uma visita só. Uma das entradas do Cannyonlands (que também terá um post a parte) fica quase em frente ao Arches (pega-se uma estrada e depois de aproximadamente 30km, chega-se ao visitors center).
Se hospedando em Moab, você conseguirá fazer algo que fizemos: visitar o parque a noite para ver as estrelas, apesar do frio, valeu cada minuto. As fotos falam por elas!
Park Avenue a noite!
 As três fofoqueiras realmente fofocam a noite inteira ;)

Para quem gosta de acampar, há possibilidade de acampar dentro do parque, mas lembre-se que o camping lota muito rápido. Moab apresenta muitas opções, que acabou sendo a nossa escolha, e o bom é que você acorda com as montanhas vermelhas ao lado. Paz total!

 Nossa casa em Moab, UT! Reparem as montanhas atrás. 
PS: o parque é muito bem adaptado para qualquer idade e condições. A única indicação, assim como a maioria dos lugares nos EUA, é que se tenha um carro. 

A única dica que posso dar é: visite tudo que puder, tenho certeza que não irá se arrepender.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rocky Mountain National Park: um parque para chamar de seu ;)

Quando começamos nossa road trip, nosso primeiro ponto de parada era o parque nacional de Rocky Mountain (Rocky Mountain National Park), no Colorado. 

 Chegando no parque

Para visitar o parque nos hospedamos em Boulder, a São Tomé das Letras americana. A entrada a leste do parque fica na cidade de Estes Park, no Colorado, mas as cidades com mais estrutura seriam Boulder (40 milhas de distância) ou Denver (65 milhas de distância). Denver é a opção para quem chega de avião. Há ainda a opção de entrada pela área a Oeste do parque, a entrada pelo Grand Lake. Porém, não há uma cidade com estrutura de aeroporto tão próxima do oeste quanto Denver com relação a entrada leste. 

O parque possui uma estrutura muito boa para todo tipo de visitante, mas a única indicação é que se tenha um carro. Sem carro, você fica preso com o transporte do parque, que limita um pouco o seu tempo. Fora isso há toda estrutura necessária para uma visita especial. Se programe e o parque fará sua parte em ganhar seu coração. 

 Lagos no meio da montanha!
A parte mais legal é a estrada que corta o parque de Leste à Oeste, a Trail Ridge Road. A estrada de 40 milhas é a única que carros podem trafegar e nela existem muitos locais para apreciar a paisagem, onde você pode estacionar o carro e tirar quantas fotos quiser. E acredite, cada ponto de observação é diferente do outro. 
Dica 1: Se seu carro puder trafegar em estradas sem pavimentação, dirija pela Old Fail River Road. Uma estrada pequenininha em uma só direção (oeste), mas com pontos lindos e totalmente diferentes. Antes de ir verifique se está aberta ou não, fechada no inverno.

Essa ideia de conseguir conhecer o parque de carro encontrando pontos de observação, o torna muito bem estruturado para qualquer idade. Se você não é fã de trilhas, consegue ver praticamente o parque inteiro. Para quem gosta de fazer trilhas, há 300 milhas de trilhas espalhadas pelo parque. Só tome cuidado com a altitute (para quem escolher fazer trilhas subindo  montanhas), varia muito e você pode sentir tontura e/ou dor de cabeça. Eu e o maridão tentamos fazer uma subindo, mas a altitude me pegou de jeito e não conseguimos terminar. Bom, pela a vista até onde chegamos valeu o esforço.
Dica 2: Saia um pouquinho da estrada para visitar a área do Fall River Visitor Center, foi lá que vi a maior quantidade de veados! Um espetáculo para fechar o dia. Saímos por lá no primeiro dia de visita. 

Na nossa viagem, reservamos dois dias para o parque. No primeiro fizemos a Trail Ridge Road até o Timber Creek, no lado oeste. E no segundo dia, fizemos uma trilha para um glaciar – Andrew’s Glacier – e cruzamos a Trail Ridge novamente saindo pelo Grand Lake. Esse glaciar fica na área do Bear Lake, uma área fechada para carros a maior parte do dia. Só abre pela manhã e no final de tarde. Se quiser, há possibilidade de visitar com o ônibus que sai do Beaver Meadows Visitor Center.

Chegada ao Andrew's Glacier
No parque há 5 visitors centers equipados com banheiros, alguns possuem cafeterias e pontos de informações. No ponto mais alto do parque, há o Alpine Visitor Center. Caso você visite no inverno, fica fechado. Aliás, em cada estação do ano mudam as informações. É muito importante saber onde você está pisando, ainda mais em ambientes extremos como o parque. No site oficial do parque há muitas informações.  Leia bem antes de ir e não fique com vergonha de perguntar. 
Saída pelo Oeste do parque: Grand Lake!



quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Como eu disse até logo aos Estados Unidos...



Durante a nossa road trip pelo o estado de Colorado, Utah e Arizona nos EUA, me encantei com diversas cores e formatos. Foi durante essa viagem, por exemplo, que vi o arco íris mais forte na minha vida, e detalhe: era duplo. É incrível como muda-se tanto em apenas alguns quilômetros. Bom, na verdade foram 6.500! 

Nossa ideia era conhecer os parques  de Rocky Mountain,  o Arches National Park, o Cannyonlands National Park, o Monument Valley Navajo Park e o Antelope Canyon no Arizona.  Só consigo dizer uma coisa: melhor roteiro que poderíamos escolher para dar até logo aos EUA depois de dois anos chamando o país de casa. Afinal de contas, voltamos ao Brasil dois dias depois do final da viagem.  Pois é, o lugar que chamei de lar se tornaria um país estrangeiro novamente. 

Nossa primeira parada foi no Rocky Mountain National Park no Colorado. Nunca achei que me surpreenderia tanto com uma paisagem montanhosa. Os tons de cores iam do verde ao amarelo em segundos que meus olhos nem conseguiam capturar. Foi amor à primeira vista <3

 Eu no Rocky Mountain National Park.

O segundo ponto foi um lugar que tocou o meu coração de uma forma diferente. O Arches me mostrou a força e delicadeza da natureza. Suas terras vermelhas me remeteram a outro mundo. Se Marte for realmente todo vermelho, o Arches é sua personificação na Terra. Quando penso em vermelho, sempre pensarei no Arches.  

 Delicate Arch: onde a delicadeza e a força se encontram.
No vizinho do Arches tive outra surpresa, o Cannyonlands é a definição de imensidão. Em tempos de Globalização, onde as distâncias se diminuem, a terra dos cannyons nos fala “ei peraí, o mundo é grande prá caramba!” e eu só tenho a agradecer por sempre ter um lugar novo para conhecer. Obrigada por me mostrar um novo mundo!

No Monument Valley me senti em um filme. Beleza e imensidão definem o local. Finalmente eu tinha chegado ao "Far West", ou o conhecido faroeste.  

 "Three Sisters" no Monument Valley.
No Antelope Canyon tive o maior contato com a terra. Eu estava ali. No meio de uma fenda do mundo. Triste pela forma como estão cuidando de lá mas feliz por ainda assim existir e mais feliz ainda por estar ali. Suspiros! 

 Uma fenda do mundo! Olhando para cima no Antelope Canyon.

E antes que pudesse perceber, a viagem terminou e eu só poderia agradecer pelos meus momentos nesse país um dia chamado estrangeiro. Afinal, foram dois anos de muito namoro entre eu e o meu país estrangeiro além de 16 estados, 27 cidades, 3 road trips, 5 parques nacionais, 4 parques estaduais, 3 corridas, muitos sabores e temperos, excelentes amigos, 1 cidade que chamei de lar e muito amor no coração.
 
Em dois dias nós partiríamos para mais uma aventura: retornar ao Brasil, o nosso país.. Mas não, não consigo chamar os EUA de país estrangeiro. Ele me acolheu, me deu alegrias, tristezas e a certeza de que a cor vermelha já tinha sido adicionada ao meu coração há um bom tempo. Sim, agora meu coração é multicolorido. Obrigada por me apresentar um país tão polêmico na cabeça das pessoas, mas que prá mim, agora, sempre terá um lugar especial.  
 

 Obrigada EUA e até logo! Agora como turista, mas não mais estrangeira ;)